Sobre o Amor..




Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
Khalil Gibran

Muitas vezes é difícil definir o amor, pois ele está (e muito) misturado com o conceito de idealização e amor romântico.
Em realidade o amor, quando se expressa através de um relacionamento intimo, é um convite para a conexão com o divino em nós, a uma maior inteireza e conhecimento de si. Entretanto, estamos sempre tão cheios de valores, crenças e julgamentos sobre o certo, o correto, de como deveria ser, que esquecemos que a função do outro não é nos completar, preencher ou se encaixar em nossos padrões pré estabelecidos, mas sim nos CONVOCAR, CONVIDAR, INTIMAR a um maior entendimento de nossos funcionamentos: os funcionais e os disfuncionais; a dinâmica de nossas dificuldades, assim como a potência de nossas qualidades.
É aqui que começa a encrenca, pois como nos conta Gibran, se buscamos apenas a paz e o gozo do amor, viveremos eternamente na superfície da busca de uma vida perfeita, sem alterações, sem estações, pela metade. Uma relação para ser intima, precisa respeitar os ciclos, pois ao contrário do que parece, é a renovação que traz a durabilidade e não a estagnação.
Relações intimas enriquecedoras e nutridoras, exigem de nós tempo, dedicação e coragem, pois intimidade só existe quando estamos dispostos a correr riscos, a nos fazer nus, sermos desvelados, vulneráveis, expostos a nossa face mais temível. O fato é, que o nosso melhor só vem à tona se estamos dispostos a aceitar e integrar o nosso pior, pois ambos andam juntos, como a frente e o avesso de uma bela camisa.
Então, não acredite nessa idéia de que o relacionamento perfeito é aquele em que não há frustrações, limitações e dores. A perfeição do relacionamento está exatamente no nosso burilamento, na nossa lapidação, nos golpes que sofremos na nossa própria compreensão equivocada sobre o amor, na dor do expurgo de feridas antigas, na lagrima que cura...
A dança do relacionamento é um potente método para evoluir a consciência e o sentido de si se estamos disponíveis para transformar nosso sofrimento em sabedoria, ressignificar nossas experiências, resgatar e cultivar a esperança. Ele é alegre e doloroso, frustrante e animador, renovador e aniquilante... E vale completamente a pena!


A intimidade é um espaço de compartilhamento em uma parceria.
 É uma forma de relação que configura uma morada,
 um lugar aconchegante e seguro,
onde se podem experimentar a confiança e esperança;
onde é possível ser e existir como se é,
repousar e silenciar.

Beatriz Cardella